Jair Oliveira

Como Educar com Música e Arte!

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“Há quase um ano, durante uma entrevista sobre o lançamento de meu DVD “Jair Oliveira 30”, um jornalista me perguntou se eu e Tania tínhamos o hábito de incluir a música como parte da educação de nossas pequenas. Imagino que ele já soubesse de antemão qual seria minha resposta, mas enxerguei um ponto bem interessante em seu questionamento. É fácil perceber que, aqui em nosso país, geralmente temos a tendência em separar a educação “formal” de nossas crianças (e de adolescentes e adultos também!) das expressões artísticas, não é mesmo? O que conta de verdade é matemática, química, biologia etc. Música, dança, teatro, pintura não passam de mero entretenimento e diversão.

Não sei bem ao certo sobre a origem desta míope visão e confesso que nunca compreendi as razões de sua existência. Talvez seja a mania – equivocada, em meu entendimento – que nossa sociedade tem de avaliar o lúdico e o poético como menor, inocente ou “infantil”. Eu, particularmente, considero este “infantil” extremamente essencial para o formação completa do indivíduo e do bom cidadão, em qualquer fase de seu aprendizado!

Não sou nenhum profissional da área educacional, mas cresci em uma família musical que sempre fez questão de incorporar a música (e todas as outras expressões artísticas) à minha educação. E hoje fazemos questão de repassar isso a nossas pequeninas; ou seja, não excluímos as artes da constante tarefa de bem educá-las. Pode parecer óbvio para uma família que tem pai músico e mãe atriz, mas achamos extremamente pertinente que a música, a literatura, a dança, a fotografia, as artes dramáticas e plásticas andem sempre de mãos dadas com a matemática, a gramática, a geografia, a história etc. O racional e o lúdico não se excluem; ao contrário, se complementam aqui em casa.

Ultimamente muitos pais têm enxergado o real valor desta postura, mas ainda uma grande parte da população brasileira considera as artes como mera distração na vida de seus pequenos. Desconhecem que informações e mundos incríveis são conhecidos através das cores de um quadro, das notas de uma canção, dos passos de uma dança e das linhas mágicas de um texto poético. Nossas crianças, por outro lado, sabem muito bem disso. Aliás, elas habitam naturalmente este mundo incrível até quando nós, adultos, chegamos para arrastá-las somente para o universo racional, sério e muitas vezes enfadonho no qual estamos condicionados a viver.

Efetivamente, arte é cultura, arte é educação; e não somente um “slogan” para ser usado nas contra capas de livros e discos de áudio. Através da música, por exemplo, podemos ensinar inúmeros conceitos importantes sobre matemática, física, história, geografia, gramática e civismo. Volto a repetir que não escrevo aqui como especialista no assunto; escrevo somente como um pai apaixonado pelas artes e que enxerga nelas algo indispensável para a boa educação de suas queridas filhas. Indispensável e indissociável!

A pergunta do jornalista me fez pensar em como ainda é comum em nosso sistema educacional e em nossa sociedade observar o preconceito em relação às artes no processo de formação de nossos indivíduos. Relega-se o poético ao imaginário infantil e inocente e coloca-se um valor excessivo e extremo nas matérias que compõem a tirania dos vestibulares por aí espalhados.

Nossos cidadãos têm muito o que aprender com as expressões artísticas. E nossas crianças conhecem muito bem o caminho. Deixemos que elas façam suas artes e nos ensinem mais sobre tudo o que há de mais culto e mais belo na vida!”

 

Jair Oliveira